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quinta-feira, 6 de abril de 2017

City of beasts

Embora no romance de Isabel Allende,  as feras citadas no título, tivessem apenas o aspecto exterior de fera, mas um coração amável, eu vou emprestá-lo para falar de monstruosidades.

Tenho me perguntado, mais constantemente do que gostaria, onde foi que tomamos o caminho errado, de volta à idade média. Sim, em que outra época se teve Deus no comando do Estado e a bárbarie instalada nos corações humanos? Pra todos os lados que olho enxergo ódio, intolerância, crueldade, violência... Enxergo essas coisas, inclusive, nas atitudes de alguns que bradam o Evangelho de Jesus... Quanta incoerência... Numa mão a espada do Evangelho (que é puro amor), na outra, a espada do ódio e intolerância que matam (por vezes literalmente).

Nesses últimos tempos, tem sido particularmente difícil pra mim lidar com a desvalorização da vida humana como tenho visto, porque estou vivendo um processo de reumanização, de quebrantação. Quero meu coração pulando benevolentemente de novo. Não quero rancores, ódios, intolerância, vingança, nada de negativo pesando em minha alma. Quero exercitar o perdão, o desapego, a compaixão, a empatia... Quero a corrente do bem ao meu redor... Quero ver amor em tudo...

Mas aí olho pros lados e AMOR é o que menos vejo... Uma filha que mata seus pais pra ficar com a herança, um pai que mata a mãe de seu filho pra não ter que pagar pensão, um padrasto que mata a enteada com ciúmes do namoradinho dela, um pai que joga sua filha da janela do apartamento sei lá porque, o marido que toca fogo na esposa que quer o divórcio porque não aguenta mais apanhar, as duas crianças que morrem por inalar a fumaça oriunda do corpo da mãe, tornando esse crime ainda mais doloroso... E ontem, ah, ontem foi Mirela... Morta e violentada pelo vizinho, simplesmente porque ele queria ter sexo com ela. E foi aqui tão pertinho, que pude ver nas cenas do velório pessoas de meu círculo de amizade...

Em que momento nossa humanidade começou a se desintegrar? Em que momento uma vida humana deixou de ter valor? Como confiar de novo nos outros, se os crimes que citei acima, e tantos outros que não chegam à mídia, foram praticados por pessoas que tinham a confiança da vítima?

A crise econômica me preocupa muito, porque conheço a realidade do desemprego, da falta de dinheiro...

Mas é essa crise de valores que me assusta de verdade... É preciso que se pare de recitar versículos bíblicos e se comece a imitar mais Jesus em suas atitudes e sentimentos. É preciso olhar o outro com mais compaixão, com mais empatia. É preciso entender que nossas diferenças não são motivos pra agessão ou assassinato. É preciso entender que a beleza de uma mulher, o tamanho da roupa dela ou seu grau de embriaguez não são convites ao estupro. É necessário lembrar que a vida do outro não te pertence, portanto, você não pode dispor dela.

NÓS PRECISAMOS NOS RECONECTAR COM NOSSA HUMANIDADE URGENTEMENTE...

E enquanto não o fizermos, viveremos todos nessa imensa City of beasts, onde as feras somos nós mesmos!!!

terça-feira, 28 de março de 2017

Sobre a dor e a delícia de ser o que é...

Aos 45 anos de idade posso dizer que já experimentei todos os carrinhos dessa montanha russa chamada vida, o que me dá energia pra ter algumas convicções. Uma delas, talvez a mais forte delas, é a de que não pretendo mais me casar, ou, ao menos, não pretendo me casar com o macho brasileiro regular.

O porque disso é simples: esse tipo de homem, bem genérico em terras cabrálias, é extremamente machista. Ele acredita que a mulher é sua propriedade e sua serva. Mesmo que seja ela a mantenedora, ele acredita piamente que é obrigação da mulher fazer todas as tarefas domésticas, incluindo lavar as roupas dele e cozinhar pra ele, mesmo quando ela não tá a fim. Além do mais, por ser propriedade dele, a mulher precisa de autorização para sair ou receber pessoas em casa. E, normalmente, ele vai checar as mensagens no celular dela, porque propriedade não precisa de privacidade. E é ele que decide pra onde vão e quando não vão a lugar nenhum. Ele tem amigos, muitos amigos, com os quais se encontra pra bater bola ou tomar uma. Ela pode ser amiga das esposas dos amigos dele. E nada de sair sozinha, que mulher direita tem que ficar em casa. O amigo que leva ele pra gandaia é parça... A amiga que chama ela pro barzinho é puta. O macho regular brasileiro é controlador. E eu... Ah, eu não suporto controle.

Nem é por maldade. Também não é rebeldia, nem birra. O caso é que, a antiga estrutura de família faliu há tempos. O homem mantenedor e a mulher submissa e do lar, já não passam de um artigo da década de 50, na revista Claudia.

Hoje, a mulher trabalha como o homem, estuda como o homem, assume responsabilidades como o homem e divide as contas da casa com o homem. Então, se os papeis mudaram, os relacionamentos precisam mudar também.

Um relacionamento a dois, precisa ser realmente a dois. Parceria. Os papeis de homem e mulher estão totalmente misturados. O poder que o homem tinha por ser o dono do dinheiro que mantém a casa, acabou-se. O casal, agora, segura a onda junto. No entanto, embora juntos, as demandas do dia-a-dia, no mais das vezes, abrem a necessidade de se preservar uma certa individualidade. Nem sempre os amigos vão coincidir, ou as preferências sociais. Não é justo que, depois de um dia exaustivo de trabalho, eu seja obrigada a ir àquela festinha chata na casa daquele amigo dele com o qual eu não tenho a mínima afinidade. Qual o problema dele ir sozinho? Eu aproveito pra ter um tempinho só pra mim... O mesmo vale pro parceiro, que não pode ser arrastado pros programas que não curte, só porque eu gosto.

Encontrar um homem, de minha geração, que concorde com tudo o que descrevi acima é tão fácil quanto achar um trevo de quatro folhas no canteiro.

Eu sou individualista, territorialista (muito difícil pra mim abrir mão do meu espaço ou compartilhá-lo), preciso de silêncio e solidão vez por outra e não suporto controle. Sou uma boa amiga, uma boa companheira, desde que se entenda que existem os limites acima. Não acho ruim ser como sou. Sou feliz. Vivo em paz. Essa é a delícia de ser como eu sou...

Mas SER é, dos verbos, o mais complexo. Há delícias... mas também há dores em ser o que sou...

Como toda e qualquer mulher, eu tenho meus momentos de fragilidade. Me sinto carente, às vezes... dá uma vontade de colo. Já houve ocasiões em que a carga veio tão pesada que eu cheguei a me perguntar se valia mesmo a pena ser assim tão independente, tão senhora de mim. Mais aí, dei conta do recado (como sempre dou) e a dúvida passou... Sim, vale a pena...

Estar sozinha hoje é uma condição que só revogo se encontrar um parceiro, seguro de si e feminista como eu. E não aceito menos!!!

domingo, 17 de abril de 2016

Não vai ter golpe!!!

As pessoas trasferiram sua indignação para Lula e Dilma e contra o PT. Bem típico de quem assiste o Jornal Nacional todos os dias e lê Veja ou Isto é semanalmente. Esses veículos incutiram na cabeça do povo a idéia de que o PT inventou a corrupção e ninguém nunca roubou tanto quanto Lula e Dilma. E é mais fácil seguir com a boiada do que parar para analisar a História pra entender como as coisas realmente são. Eu me decepcionei com Lula já no início do seu segundo mandato, quando percebi que as coligações feitas pra viabilizar sua eleição haviam dragado boa parte da base governista petista pros grandes esquemas de corrupção que a direita engendrava desde sempre: dolares na cueca, valérioduto, mensalão, escândalos dos dossiês. Claro que nunca acreditei no "Eu não sei de nada" do presidente, mas entendia sua postura e admirava o fato dele permitir que o MP denunciasse e a PF investigasse. Em outros tempos, com outros presidentes, o chefe da Casa Civil jamais seria preso, era engavetamento na certa. Também nunca votei em Dilma. A decisão do PT de lançá-la candidata me obrigou a votar nulo pra presidente nas duas últimas eleições. Não acho que ela seja competente em nenhuma das habilidades necessárias para ser presidente. E, no limitadíssimo entendimento que tenho, acho que sua condução econômica e política (a negociata irresponsável de cargos, por exemplo) foi sempre desastrosa. Sem falar da manipulação da economia que orquestrou para reeleger-se. No entanto, em seus dois mandatos, ela era, sem dúvida, a opção menos ruim para o País.

Apesar de tudo o que escrevi acima, tenho suficiente sensatez para entender que o ódio que a elite nutre pelo PT, por Lula e Dilma, vêem do fato de que nos últimos 14 anos, as classes mais baixas vivenciaram um empoderamento que nunca havia se visto na História do Brasil.  Vcs têm idéia do quanto deve doer praqueles que desejam manter o status quo ouvir de sua empregada doméstica, que agora tem FGTS, que não pode ficar além do expediente, pois tem faculdade, está cursando um tecnólogo, pelo PRONATEC, ou fazendo faculdade gratuita pelo PROUNI? Tem idéia do revanchismo que cresce no coração dessa elite ao ver na TV que o filho da catadora de lixo passou em primeiro lugar pra biomedicina, numa universidade pública ou que a filha da empregada doméstica está se formando em direito por essa mesma universidade, enquanto o seu filhinho playboy tem que pagar faculdade porque as vagas da universidade pública agora são divididas pelas cotas? Claro que pra essa elite essa medida não é justa. Lembro bem que, na minha época, quem estudava em escola pública, morria no ensino médio ou apelava pro crédito educativo pra pagar a Católica, pois as Federais eram pros ricos. E a interiorização da educação superior e técnica? Sertanejo se formando, lá mesmo no sertão, ao invés de migrar pra São Paulo pra ser discriminado pelo paulistas. A refinaria, Suape, a FIAT... Nunca houve tanto investimento federal fora do eixo Rio-São Paulo. Não, ilustres revoltados manipulados pela rede bobo, o voto popular em Lula e Dilma, não tem nada a ver com o bolsa família, tem a ver com a elevação da qualidade de vida de uma parcela (imensa, diga-se de passagem) da população, que antes vivia esquecida e relegada à sua própria miséria. E olhe que eu nem citei aqui todos os projetos que melhoram a vida dessa parcela esquecida, embora majoritária, da população brasileira.

Portanto, desvie um pouco o olhar do seu próprio umbigo, desligue a porcaria da televisão e abra um livro de História. O impeachtment, da maneira como vem sendo conduzido, é um golpe claro, não contra Dilma ou o PT, mas contra a nossa jovem democracia. Os que orquestram esse golpe são os mesmos maestros da corrupção que infestam nosso país desde o império. Representantes de uma elite revanchista, louca pra recuperar sua supremacia econômica e política. Urubus de gravata que sempre nos trataram como carcaças na estrada!!! Os mesmos que mandaram matar Antônio Conselheiro por ter dado ao povo sertanejo, sofrido, a compreensão de que é possível sim que o sertão vire mar... mas pra isso, o mar tem que ser um pouquinho sertão.

E é por tudo isso que escrevi aqui, que hoje inicio o meu dia bradando NÃO VAI TER GOLPE... NÃO PODE TER GOLPE... O povo brasileiro merece mais do que ter suas instituições entregues nas mãos daqueles que nada farão por ele... O povo brasileiro merece mais do que ver a democracia, pela qual lutamos tanto, ser violentada por aqueles que apenas desejam defender os próprios interesses, mantendo-se impunes por todo mal que já fizeram ao nosso País. Então parem e pensem! Também quero tirar Dilma da presidência. E quero tirar Temer, Maluf, Cunha, Calheiros e tantos outros do legislativo. Mas quero fazer isso democraticamente, nas urnas, em 2018.

#nãovaitergolpe #acordaBrasil

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Vamos limitar nossa intolerância?

Uma conversa com amigos e um link enviado por um deles me levou a refletir, esses dias, sobre como estamos nos tornando cada dia mais intolerantes e obcecados pelos conceitos de privacidade e individualidade. Vou explicar melhor...

Éramos 5 pessoas conversando sobre um assunto específico quando, sem ter porque, o tema 'grupos do whatsapp' entrou em debate. De repente todos reclamavam de como certas pessoas são inconvenientes, enviando mensagens fora do horário comercial, entulhando os grupos com lixo ou publicações que não condiziam com o tema do grupo. Estávamos realmente bravos com isso tudo. Sabe aquele sentimento de privacidade invadida? Então, era tipo assim... "Ah, quando eu vi tal publicação, chamei a pessoa na grande e disse umas verdades..." E todos concordavam, é, muito chato mesmo isso... Há que se ter limite... Sim, assentimos todos, há que se ter limite.

Dias depois um dos amigos me mandou um link para um texto muito esclarecedor: "13 coisas que você nunca deve fazer em grupos de whatsapp.' ´Pronto, ler esse texto foi o suficiente pra me fazer reavaliar todo o meu comportamento diante do mundo e entender o quanto estamos nos tornando, cada dia, mais intolerantes e mal-humorados, em defesa dessa tal de "privacidade".

Sim, eu sou extremamente autoreflexiva e tenho essa mania quase obsessiva de avaliar as minhas atitudes quando encontro no outro uma atitude que não me agrada. E que susto tomei eu descobrir o quanto tenho sido pouco Cristã por toda a minha vida.

Tá certo, há que se ter limites... Mas, vamos começar a limitar os limites também, senão acabaremos, todos, nos tornando ilhas humanas. Há que, antes de tudo, se impor limites a nossa intolerância. Comecei a analisar especificamente o caso do whatsapp. Por que me irritam tanto as mensagens fora de contexto de certos colegas? Em que elas me ofendem ou me perturbam? Todos os meus grupos são silenciados e o meu whatsapp é programado para não fazer download automático de nada, nem imagem, nem vídeo, entram na memória do meu celular sem a minha autorização. Além do mais, eu deleto todas as mensagens e limpo todos os grupos regularmente. Já é rotina pra mim. Diante disso, qual o problema de ter amigos que enviam lixo todo dia? Me afeta em que? Me prejudica em que? Pois é, não me afeta em nada, não me prejudica em nada.

Aqui, nesse momento, cabe um reflexão um pouco mais profunda: então, porque eu me irrito e me aborreço com isso?

ALERTA VERMELHO!!!

É, assustou-me perceber que eu estava sendo, apenas, totalmente intolerante. Nunca, nenhuma vez parei para pensar nos motivos daquelas pessoas enviarem mensagens "inconvenientes". Tá, tudo bem, digamos que certas pessoas são sem noção e ponto. Mas, não seria mais cristão de minha parte utilizar aqui um pouco de empatia? E se aquilo demonstrasse uma fragilidade da pessoa? Necessidade de aceitação e aprovação, ansiedade, carência, solidão... Poxa, como me senti culpada, logo eu que vivi momentos tão difíceis de angústia e solidão estava sendo insensível e intolerante com o outro. Fiquei muito triste comigo mesma... E foi então que o alerta vermelho começou a piscar e a alarmar com mais força.

Comecei a me lembrar das vezes que coloquei o fone no ouvido pra evitar a conversa da pessoa inconveniente que havia se sentado ao meu lado no ônibus e que insistia em me contar a vida dela... Das ligações que não atendi, pra não ter que suportar as lamúrias daquela amiga que passava por um período difícil... Das desculpas que já dei pra me desvencilhar de convites de cafezinho ou lanchinho daquele amigo solitário que quando começa a falar não pára. Como tenho evitado os que estão tristes e deprimidos e, por isso, passam a ter atitudes "inconvenientes".

Quando dizem que gente feliz não incomoda, é verdade. Gente feliz não incomoda porque é egoísta demais... Gente feliz, às vezes, se perde na própria felicidade. Mas a felicidade é um presente de Deus. Presente de Sua misericórdia. Devia nos inspirar a compartilhar e dividir, já que recebemos de graça!!!

E foi assim que, um simples papo sobre whatsapp, me levou a descobrir como venho falhando com Cristo. Mas, que bom que essa conversa aconteceu, agora eu posso rever minhas atitudes, me aborrecer menos com as pessoas, me colocar no lugar delas e tentar ser mais receptiva às suas necessidades e dores, afinal eu já estive lá, já vivenciei o vazio e a solidão, já senti desespero, já chorei sozinha, por isso eu sei exatamente como ajudar: basta ser tolerante e amoroso. Acabei descobrindo porque, mesmo sem merecer, recebi de Deus a cura para as dores da minha alma: ele me quer sorrindo, sorrindo pras 'inconveniências', sorrindo pros 'excessos', sorrindo pra 'falta de noção' das pessoas que precisam apenas que eu as aceite assim, como elas são, e que precisam de meu sorriso pra aprenderem a sorrir também...

E, por fim, foi bom lembrar que, amanhã ou depois, posso ser eu, novamente, a pessoa inconveniente, que manda mensagem fora do horário comercial, que puxa conversa na fila do banco ou no assento do ônibus, que faz visita sem avisar. E tudo o que eu vou querer é receber um sorriso e um bocadinho de tolerância com a minha dor e com os meus déficits. Então, é isso que vou aprender a dar.

Jesus nos deixou um manual para uma vida em paz. E por mais que a gente leia a Palavra diariamente, por mais que a gente repita o que lê, parece que não conseguimos inseri-las no nosso agir. Mas eu quero tentar... Chega de intolerância, chega de me aborrecer por tão pouco, chega de me sentir incomodada por nada. Eu, que falo tanto em amor, preciso aprender a amar também!!!




quinta-feira, 30 de abril de 2015

O mundo precisa de mais amor!!

Ando com medo das pessoas. Sei que é triste dizer isso, mas o que eu posso fazer? Sempre fui muito observadora e, o que eu tenho observado recentemente, me assusta mais do que me alegra. Parece que a cota de amar das pessoas está se acabando. Já não vejo compaixão nos olhos de quem passa. Muitos, mas muitos mesmo, esqueceram até o significado da palavra empatia. E o próximo, a quem nós deveríamos amar como a nós mesmos, acaba se tornando um incômodo, um entrave ao nosso direito capitalista ao individualismo.

Ando com muito medo das pessoas. Tenho visto que a vida já não vale nada. Se antes se matava por um tênis, hoje as pessoas morrem, como na idade média, só por expressarem uma opinião. A vida humana está banalizada, porque as pessoas estão se perdendo do humano em si mesmos. Ninguém se espanta mais com um homicídio, ou com massacres, ou com extermínios. A morte matada começa a fazer parte da normalidade. E só serve mesmo, para manchetes de jornais sensacionalistas.

Ando com muito medo das pessoas. Percebo que a capacidade de indignação está se esvaindo delas. E quando a gente não é capaz de se indignar, seja diante de uma injustiça, seja diante de uma agressão, seja diante de uma atrocidade qualquer é que essas coisas começam a acontecer com mais frequência. A incapacidade para indignar-se gera apatia. E a apatia é uma doença muito perigosa, que tira muitas vidas ao nosso redor.

Ando com muito medo das pessoas. Cada dia elas se entregam mais facilmente ao alívio imediato das drogas, seja por total impotência diante de seus problemas, seja pela ilusão da viagem alucinante. E, quanto mais se afundam em suas próprias fraquezas, mais enfraquecem todos os laços que existiam ao seu redor. Famílias são destruídas, amigos se afastam, carreiras desmoronam. Tenho visto a escuridão envolver pessoas que antes brilhavam como o sol, mas que não resistiram ao apelo do mundo e nele caíram.

Ando com muito medo das pessoas. Chego a estremecer quando percebo a comoção que causam programas como o Big Brother Brasil, o Pânico e outras mazelas que a televisão apresenta. Me assusto ao escutar as pessoas conversando sobre novelas e concordando que “sim, bem feito que fulana matou sicrano... tomara que a mocinha consiga sua vingança... ou ah, ele é ruim e não tem caráter, mas é um gato, eu ficaria com ele.” Me entristeço ao notar que a maioria das famílias permite que uma total ausência de valores invada seus lares diuturnamente em forma de programas televisivos, contaminando crianças e jovens com conceitos distorcidos de certo e errado.

Ando com muito medo das pessoas. Os corações estão tão endurecidos que já não cabe Deus lá dentro. E um mundo sem Deus, é um mundo sem amor. E um mundo sem amor, é um mundo muito perigoso. Sem Deus, não há consolo, não há esperança, não há nada a se perder. Sem Deus o homem volta ao estado de selvageria no qual vivia há alguns mil anos atrás. Sem Deus não há respeito, nem tolerância. Vejo as pessoas fazerem piada com a dor alheia. Vejo falsos profetas (sim, eles proliferam num mundo sem amor) manipulando quantos eles conseguem alcançar na direção do ódio e da intolerância. Vejo Jesus ser crucificado novamente, todos os dias, diante da nossa arrogância e rejeição.


Ando com muita dó das pessoas. Pois elas se afastam, a cada dia mais, do amor, da compaixão, da empatia que Cristo sofreu tanto pra nos ensinar. E são esses três sentimentos, juntos, que podem salvar o mundo. Se continuarmos do jeito que estamos, sinceramente, não sei onde iremos parar... O mundo está precisando de mais amor.

terça-feira, 14 de abril de 2015

O que te move?

"O mundo está doente!"
Ouvi essa frase um dia desses, de alguém muito preocupado com a quantidade de amigos que estão com depressão. "Guida, por que será que tanta gente boa tá ficando deprimida? Será um vírus? Acho que o mundo tá doente!"

Sim, o mundo está doente... Mas a doença que assola o mundo não é viral, nem bacteriana... é espiritual!!!

Olhem ao redor... O que vocês vêem?

Eu tenho me assustado dia-dia com o que vejo quando olho ao redor... Muitas vezes me assusto comigo mesma, com minhas reações, com meus pensamentos... De certa forma, todos nós já fomos contaminados (impossível não ser). Mas a boa notícia é que há cura para a doença do mundo!!!

Então vamos lá: primeiro falemos da doença, a seguir, da cura!

O mundo tá doente, sim!! Coisificatium humanus é o nome científico que acabei de inventar pra essa doença, mas podemos chamá-la popularmente de desumanização. Isso mesmo, estamos perdendo o contato com as coisas e sentimentos que nos tornam humanos. Estamos "coisificando" o humano, virando as costas à nossa humanidade...

A cada dia que passa as pessoas se preocupam menos com as pessoas e mais com as coisas. A cada ano de nossas vidas nos dedicamos mais e mais a possuir, ter... e não damos a mínima para nos tornar alguém... Deixamos de lado nossos valores, endurecemos nossos corações... Tudo o que importa é essa corrida insana por aquisições materiais: a TV mais moderna, o melhor carro, muitas roupas e sapatos, uma casa, uma reforma na casa... Os bens materiais e de consumo passam a ser o propósito de nossa vida... E quando isso acontece, não me admira que as pessoas comecem a entrar em depressão... O materialismo é um deus muito cruel, que mata seus seguidores aos poucos, enchendo-os por fora e esvaziando-os por dentro!!!

Quando o foco de sua vida está nas coisas, você para de sonhar e passa a desejar... E o desejo material é impossível de ser totalmente satisfeito, pela simples razão de que, quando se obtém algo que se deseja, o ser humano já começa, imediatamente a desejar algo mais... A felicidade é um objeto inalcançável, quando você faz dela um objeto...

Quando o foco de sua vida está nas coisas, as pessoas param de importar. Você passa a temer a violência, mas já não se comove com a violência sofrida por aqueles que não lhe são próximos, afinal, não é da sua conta... A vida passa a ser banalizada... Paramos de nos preocupar com a causa das desigualdades sociais, passamos a simplesmente nos revoltar com seus efeitos, porque os efeitos nos atingem, enquanto as causas atingem apenas aquelas pessoas pobres com as quais não preciso me preocupar, pois não é de minha conta. Sim... o materialismo nos desumaniza... E quando a gente se perde do humano que há na gente, acaba-se por adoecer... E aí vem a depressão!!

Viver de desejos, não é viver... Nossa vida precisa de propósito!!!

Bom, vamos, então, falar da cura?

É isso, a cura é sonhar... Sonhar humanamente, olhar pros lados, olhar pra dentro, enxergar-se, mas também enxergar aos outros... Entender que mais importante do que possuir, é SER alguém, um alguém de verdade, que acha que o que acontece ao seu redor é da sua conta sim.

Tem uma pequena fábula que conta que o fazendeiro armou uma ratoeira na cozinha de sua casa. Quando o rato viu, saiu desesperado para avisar a todos na fazenda. A galinha, o boi, o porco... Mas eles todos riram e viraram as costas dizendo: uma ratoeira? Ah, isso não é da nossa conta... Só que uma noite, a esposa do fazendeiro foi pegar água na cozinha e não percebeu que a ratoeira havia pego uma cobra venenosa e acabou sendo picada pela cobra. O marido a levou ao hospital. Ela tomou o soro antiofídico e veio convalescer em casa. Para fortalecê-la, o marido matou a galinha para preparar uma canja. No entanto, todo cuidado do homem não foi suficiente, e a esposa faleceu. Vieram muitos parentes e amigos para o velório. Para alimentá-los o fazendeiro precisou matar o boi e o porco. Assim, por conta de uma ratoeira que, na opinião dos outros, só oferecia risco ao rato, todos acabaram na panela!

Essa fábula nos chama a atenção pra o individualismo que mata. Pode até não nos matar literalmente, mas oprime nossa alma.

Então, quer se curar da angústia, da depressão, do mal que o torna infeliz? Aprenda a sonhar... Sonhar é diferente de desejar. Sonhar é olhar adiante e imaginar a pessoa que você gostaria de se tornar para que o mundo fosse melhor... O que você deveria estudar e ler? O que você poderia compartilhar? O que você poderia doar de você mesmo? O que seria necessário transformar em você para que o mundo fosse transformado? Mas sonhar não é só ficar pensando nessas coisas não... Sonhar é também trabalhar para concretizar o sonho!!! E esse sonho passa a ser o seu propósito...

E não me venha dizer que o seu sonho é ter sua casa própria... Casa própria é desejo... Diz respeito unicamente a você mesmo e a interesses individuais... O sonho tem que envolver o mundo, o coletivo... Afinal, estamos todos conectados... Somos todos filhos do mesmo Pai... O que acontece a um, numa perspectiva cósmica, atinge a todos nós... É como a história da ratoeira...

A sede por poder e posse gera a desigualdade, que gera a pobreza e a miséria, que geram a violência, que gera o medo e a ansiedade nas pessoas... e assim seguimos, num ciclo destrutivo e sem fim... E assim, o mundo adoece!!!

A boa notícia é que a cura está aí, bem à mão, pra quem quiser pegar... A má notícia é que nenhum de nós pode forçar ninguém a tomar o antídoto... Então, muitos continuarão adoecendo e caindo em depressão... Mas, muito embora não possamos mudar os outros, podemos fazê-lo a nós mesmos...

Olhe ao redor... O que você pode fazer para mudar esse cenário? O que você pode fazer para melhorar a vida de alguém, uma única pessoa que seja, pois é de gota em gota que a chuva enche uma lagoa.

Jesus, que era o mais sábio entre os sábios e o mais amoroso dos homens, nos ensinou como não sucumbir à doença do mundo: "Amarás a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo." (Mateus, 22:37-39)

E agora eu te pergunto: vai se entregar à depressão ou buscar um propósito pra tua vida?

O que te move?

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Quero ver ser bom no ruim!!!

Um amigo sempre me repetia isso: "ser bom no bom, é fácil... quero ver é ser bom no ruim!" Levei um certo tempo até entender a profundidade do que ele dizia. Foi preciso que tempos ruins chegassem, foi preciso que a angústia me visitasse, que a dor fizesse morada em mim, pra que eu entendesse a sabedoria de meu amigo. Como é difícil ser bom no ruim!!!

Quem não se acorda de bom humor quando está feliz, com toda a sua vida no lugar? Quem não consegue ser gentil com aqueles que são gentis conosco? Quem não acha muito fácil amar quem nos ama? Quem não consegue orar quando tudo está certo na vida? Quem não acha simples louvar e agradecer a Deus as benesses que pairam sobre nossa vida? Ser bom em tempos de bonança é a coisa mais fácil do mundo!!!!

Mas... Sim, meus amigos, existe um mas.

Mas, como é que você trata aquele que se dirige a você com rudeza e grosseria? Como fica o teu humor, ao acordar sabendo que o dinheiro não vai dar pra pagar as contas do mês? E aquele que te distrata e te faz o mal, quanto amor você consegue dedicar a essa pessoa? Quão fácil é lembrar de dobrar os joelhos e orar a Deus, quando uma grande tormenta paira sobre a sua vida? Quem é que louva, adora e agradece a Deus quando os tempos estão difíceis e tudo está dando errado? Sim, ser bom nos momentos difíceis não é fácil não...

Normalmente, quando nosso coração e nossa alma estão em dor, temos muita dificuldade de enxergar a "luz no fim do túnel". É tendência humana se deixar tragar pela própria dor. E nesses momentos de sofrimento, geralmente, nós temos que lidar com o pior que há em nós. E lidar com aqueles sentimentos que você passa a vida tentando eliminar em você, não é legal não. Quando em dor, até a felicidade do outro incomoda... Normalmente, em tempos ruins, nós apenas conseguimos lamentar e nos afundar ainda mais na dor que vivemos... Isso quando não encontramos uma fuga fácil e transitória pra essa dor: remédios, bebidas, drogas... Quando a gente tá lá, sofrendo, doendo, a amargura tende a tomar conta do nosso coração. E um coração amargo não consegue ser bom.

No entanto, não há o que fazer, ser feliz é bom demais, viver em paz é bom demais, ser amado é bom demais, mas é inevitável, um dia, a dor pode chegar pra você. E ela pode vir de diversas maneiras: a perda de um ente querido, uma doença grave, desemprego, o fim de um relacionamento, a ingratidão de alguém, um projeto que não encontra sucesso, a rejeição de alguém a quem se quer bem... Não há como impedir uma tempestade, se ela tiver de chegar em sua vida, ela vai chegar.

O que eu entendi é que nos tempos bons é que nós temos que exercitar nossa capacidade de superar a dor. Sim, porque as tempestades vêem, mas vão embora. E é a nossa atitude diante delas que determina o tempo que as nuvens escuras irão pairar sobre a nossa vida.

Em um culto, ouvi o testemunho de uma moça, muito jovem, recém-casada, que descobriu que estava com câncer, já num elevado grau de metástase. Quando as amigas da igreja souberam, começaram a se lastimar. Ela simplesmente as repreendeu: "Ei, todo mundo vai um dia, parem com isso que eu ainda estou viva, e enquanto eu estiver viva, vou agradecer a Deus por mais um dia e vou viver enquanto posso."

Bom, não sei se vocês acreditam em milagre (eu acredito!) o caso é que a moça fez todos os tratamentos e o câncer desapareceu. Se vai voltar ou não, está nas mãos de Deus. O que eu sei é que os médicos ficaram sem entender... Mas, vejam bem, o milagre poderia não ter acontecido, às vezes Deus precisa nos dizer não. Quando ela decidiu ser boa, no momento de dor, ela não sabia o que iria acontecer. Aí é que está a beleza da atitude da moça. Quantos de nós agiria da mesma forma? Quantos de nós não teria como primeira reação questionar Deus?

Esse é um dos mais difíceis exercícios que pratico em minha vida. Tenho tentado dar o melhor de mim sempre, mas principalmente nos momentos mais difíceis. Às vezes até consigo, viu? Hoje peguei o ônibus errado e quando me dei conta de que não era o meu ônibus, ainda levei um rela do cobrador. Tive aquele primeiro ímpeto de dar´lhe uma resposta desaforada e me lembrei "vamos aprender a ser boa no ruim, gata!" Respirei fundo, a paz voltou, eu sorri e respondi: "Acontece!!! Faz parte!!!" Não perdi meu dia, não me aborreci, passei pela pequena tormenta sem maiores danos.

São aqueles dois segundos que nós temos, antes de estourarmos e maldizermos o mundo, antes de tentar por Deus à prova... são aqueles dois segundos mágicos e suficientes para nos realinhar com tudo o que Jesus nos ensina... os dois segundos que nos permitem respirar fundo e escolher ser bom o tempo todo, mesmo que pareça impossível.

Se é fácil? Tá brincando, né? É a coisa mais difícil do mundo... E com toda boa vontade, nem sempre funciona, mas se a gente não pratica assim, nas pequenas coisas, quando as grandes chegarem não estaremos prontos.

Ser bom no ruim tem que virar uma meta em nossas vidas. E é, justamente, no ruim que mais precisamos de bondade, de amor, de Deus... mas isso tudo só vem pra gente se as portas estiverem abertas. Por isso eu decidi agradecer a Deus todos os dias por tudo de bom que ele tem feito por mim, mas também por todas as provações que já passei, por todas as perdas que já sofri e que me fizeram ser a pessoa que sou, assim como por todas as provações e perdas que ainda passarei em minha vida, porque, embora eu tenha um monte de planos pra mim, sei que os de Deus são bem melhores que os meus e aceito isso com resignação e amor, muito amor!!! E que Deus me ajude a não sucumbir aos maus momentos!!!